segunda-feira, 25 de julho de 2011

Adorei

Mãe Desnecessária
texto de Márcia Neder
 
 *A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do
tempo. *Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre
me soou estranha.
Até agora. Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar
voos-solo.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar
a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma
batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar
a super-mãe que todas temos
dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. *
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.*
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa
isso.
Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre
existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto
de eles não conseguirem ser autônomos,
confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas
escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A
cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada
nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára
de se transformar ao longo da vida.Até o dia em que os filhos se tornam
adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles
precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na
divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego,
o abraço apertado,o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior
desafio e a principal missão. *
Ao aprendermos a ser 'desnecessários',
nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.*

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